Contexto

28 Novembro 2006

Vaidade

Arquivado em: Leitura, Poesia — Ângela Miranda @ 12:38 pm

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…
E não sou nada!…

Poesia de Florbela Espanca (1894-1930), publicada no Livro de Mágoas em 1919.

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